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Marcelo Varzea dirige comédia ácida, A Porta da Frente, com premiado texto de Julia Spadaccini

Rui e Lenita tem um casamento morno e sem graça. Não se olham, não se enxergam e vivem suas vidas sem grandes paixões ou perspectivas. Estão frustrados com a união, com seus trabalhos (ela é dona de casa e ele é corretor), mas não conseguem fazer nada de diferente para melhorar a situação. São pais de um casal de gêmeos estranhíssimos, dois jovens estudantes que sofrem com a falta de atenção dos pais. Rui e Lenita moram num apartamento apertado com os gêmeos, e Dona Marilu, mãe de Lenita, que sofre de Alzheimer.  Será?

Uma nuvem de insatisfação e resignação paira sobre tudo e todos, até que um novo vizinho ocupa o apartamento em frente e aquele mundinho habituado pelo amargor sofre sucessivos abalos e começam os conflitos. Sacha é “crossdresser” assumido e professor de canto. Essa ambiguidade faz de Sacha uma figura muito peculiar, que mexe com o imaginário de todos. Sua chegada causa um grande impacto na família de Rui. Além de se incomodarem com o barulho das aulas de canto, nenhum deles sabe como lidar com aquela figura tão diferente e bizarra do ponto de vista de suas caretices. Mas, apesar de ser demonizado pelos vizinhos, Sacha é um homem de paz. É muito refinado, educado e simpático.


Foto: Caio Gallucci

A Porta da Frente
, com texto da jovem autora carioca Julia Spadaccini foi considerado um dos mais impactantes de 2013, vencedor dos Prêmios Shell e Fita, e gira em torno das relações que cada personagem da família de Rui vai criando com esse novo morador. Um estranho que vai começar a fazer parte da vida daquela família e transformá-la aos poucos. Sacha com sua postura liberal e liberta diante dos preconceitos da vida vai dando, sabiamente, uma lição de amor e uma injeção de atitude para essa família que está tão infeliz, estagnada e fechada em seus velhos conceitos do que é normalidade.

Sinto um fascínio pelo crossdressing, um questionamento, uma mudança de ponto de vista: o Sasha ilumina cantos escuros e sacode as juntas enferrujadas daquela família”, conta Julia para quem as relações familiares são fonte permanente de inspiração: “Acredito que a família esteja amarrada num grande núcleo neurótico. Quando um pisa, o outro afunda. Esse tema me interessa e expresso isso nas minhas peças. Gosto de falar das relações familiares, esses laços que nunca se desfazem. Por mais bem resolvidas que as pessoas sejam, não conseguem se libertar totalmente das exigências, limites e educação conferidas pelos pais”, completa. “Queria falar de intolerância, limitação. O crossdresser é um personagem indecifrável. Li uma matéria sobre uma mulher que descobriu que o marido era. Ela quis se separar, mas, depois, voltou pra ele. Há uma falta de cuidado das pessoas no olhar com o outro,” avalia a autora.

Foto: Caio Gallucci

Com direção de Marcelo Varzea, e produção de Selma Morente e Célia Forte, a peça fala de preconceito e dos formatos das intuições, como casamento e família, que não se sustentam mais e precisam ser repensadas. “Precisamos ampliar nossos olhares, vivemos querendo classificar pessoas em todos os sentidos. É difícil aceitarmos o óbvio:  sermos únicos. A individualidade é assustadora pra alguns que preferem se sentir fazendo parte de um grupo e aterrorizante pra outros que quando não conseguem classificar alguém, ou não sabem lidar com essa autenticidade, fogem ou até mesmo atacam.  Esta na hora de falarmos sobre tolerância. Não por, vergonhosamente, sermos o país que mais mata LGBTSQ no mundo - é claro que isso me importa, mas porque está na hora de experimentarmos ter a noção de que a beleza está na diferença. E dela podemos vir a criar uma oportunidade real de comunhão. A Julia foi muito feliz na carpintaria desse texto, onde alterna gêneros, promovendo uma tomada de consciência vertiginosa. O publico cai no colo dos carismáticos e preconceituosos personagens. Alguns são completamente transformados e outros, mais conservadores, não suportam a pressão servindo como estopim pra que a tragédia aconteça. Entretenimento e poderosa reflexão. Trabalhar com esses atores e descobrir todas essas cores propostas pela autora tem sido extremamente apaixonante", conta Varzea.

O elenco conta com os atores Sandra Pêra, Roney Facchini, Fabiano Medeiros, Greta Antoine e Bruno Sigrist e a participação especial de Miriam Mehler.


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SERVIÇO:

Teatro Renaissance: Alameda Santos, 2233
Sessões: Sábados às 19h e Domingos às 20h
Informações: 3069.2286
Bilheteria: Quinta, das 14h às 20h. Sexta a domingo das 14h até o início do último espetáculo.
Vendas: www.ingressorapido.com.br
Ingressos: Sábado R$ 80 | Domingo R$ 70
Duração: 80 minutos
Recomendação: 12 anos
Temporada: até 09 de Setembro


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