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ALBUM REVIEW | Lana Del Rey política e representando várias formas de amor em 'Lust For Life'


Em clima de clipe novo de White Mustang, Lana Del Rey não nos decepcionou com o seu mais novo álbum 'Lust For Life'. Não deixando passar despercebido, fizemos um review comentando cada faixa dessa criação divina. 

Love: Começando bem o álbum, Love é a representação perfeita de que Lana não quer estar morta, e uma Lana feliz é o que estávamos com saudade. O primeiro single e primeira faixa a ser divulgada, os nossos corações já palpitavam. Na letra, o amor é tão completo que apenas simples detalhes são o suficiente para nos fazer felizes, pois como Lana canta, somos young and in love. A melodia acompanhada enfatiza essa ideia pois é como um beijo para os ouvidos. 




Lust for life (feat. The Weeknd): Música que nomeia o álbum, continua na mesma vibe de Love, porém, desta vez ela intensifica esse “amor”, seria para Lana essa paixão loucamente perdida pela vida que faz a mesma continuar, até porque no meio da fama é bem provável que artistas cansem dessa vida de exposição. They say only the good die young / That just ain't righté incrível a beleza que Lana e o The Weeknd coloca nesta faixa,  eles cantam sobre a autonomia e o controle do rumo que essa paixão pode tomar, dependendo simplesmente da reciprocidade e do sentimento único atribuído a vida.

 

13 beachesVoltando para o tom dramático e misterioso que é sua pegada verdadeira, Lana entra gloriosamente em 13 Beaches com uma Intro maravilhosa, que só até aí a música já estava perfeita. Os violinos que remetem bastante a Blue Jeans, deixam o clima ideal para a introdução, onde é explícito que Lana estava querendo liberdade, mas algo a bloqueava e só depois de atravessar “13 praias”, ela encontra uma onde fica sozinha, porém, sempre preparada para as câmeras, a vida sem escapatória dos flashes. Em um sentindo mais profundo, o sossego estava ligado ao isolamento, só que infelizmente as lembranças nunca abandonaram-na.  

Cherry: Usando da sensualidade, o amor que Lana retrata nesta faixa é mais desprezível, ao esquecer de si mesma e todo suas conquistas, onde tudo se despedaça pela intensidade afogada de paixão. O uso de comparações como Is like heaven taking the place of something evil acaba externalizando o amor como algo maior e vivo, o que realmente acontece quando se estar cego de amor por alguém, e essa é a genialidade da canção, Lana descreve como tudo pode se arruinar ao se perder loucamente. O som é vibrante e acompanhado de batidas mais fortes do que em outras faixas do álbum, o que a torna mais sensualUm recurso interessante de se  notar são as palavras ditas (não cantadas) “fuck”, “bitch”, ao falar das suas perdas como modo de indignação.  

White MustangO mais impressionante dessa faixa é que ela poderia ser facilmente a carro chefe do álbum inteiro. Lana canta em referência a algo material que acaba sendo mais do que só isso. A força que o sentimento toma ao ver o “White Mustang”, na verdade estaria na perca daquele amor, que partiria em seu conversível. A musicalidade é relacionada ao funcionamento de um carro, pois a faixa começa lenta e ao passar pelas estrofes, acelera – dá pra notar o barulho de um carro acelerando usado por Lana  ficando cada vez mais potente e partindo, nos deixando com aquela saudade ao ouvir os assovios no final. Obrigado por essa faixa tão maravilhosa, Lana Del Rey.





Summer Bummer (feat. A$AP ROCKY, Playboi Carti): Um hip-hop chicSummer Bummer pega pesado em seu ritmo e melodias, ao mesmo tempo que você sente Lana Del Rey como um fantasma da ópera lá no fundo no momento do refrão – e no final da música o som é entonado mais alto -, da pra ficar admirando essa voz linda enquanto o Playboi Carti canta como uma batida a mais, que talvez sem essa “segunda voz” ficasse algo incompleto na música, usando de palavras meio que subliminares na música. Já o A$AP faz seu papel perfeitamente com seu rap, mantendo um diálogo romântico com a Lana, sendo protagonistas da letra em um amor clandestino, já como são amantes a espera de um encontro a mais, que provavelmente não acontecerá, algo que deixa a Lana louca, o que a faz repetir tanto “White lights and black beaches lembrando toda vez que são muitas barreiras entre esse amor proibido.


  

Groupie Love (feat. A$AP Rocky: Em uma sintonia linda, Lana vai nos deixando cada vez mais apaixonado falando sobre o tema vivo do álbum que é o “amor”. Um amor de fã, compartilhado, difícil pra caramba. Mais um feat com o A$AP, mostra como Del Rey tava eclética ultimamente, e um feat que deu muito certo também, dá pra entender bem o que falo quando nesse êxtase de paixão os dois cantam juntos You and I 'till the day we die”, como representação de uma união eterna, dá pra imaginar bem a cena de Lana como fã, cantando no cantinho do show pro seu amado que está no palco pensando nela, e a música termina semelhante ao final de uma apresentação com os aplausos dos fãs.


 

In My Feelings: Não é querendo fazer apologia a drogas, mas essa música consegue passar uma "onda forte" principalmente se você estiver um pouco enfeitiçado já. Lana pega na parte onde todos nós somos vulneráveis, os sentimentos, quase que na loucura de uma paixão inexplicável (só sentir), até falar dormindo é possível. Além de uma grande composição, a música se torna mais eletrizante com sua entonação no refrão que vai aumentando junto com sussurros dela mesma no fundo, até chegar na ponte e ela usar todo o seu agudo.  Pode colocá-la na sua playlist mais quente e fazer bom proveito.  

Coachella  Woodstock in my mindUma das canções mais linda do álbum, com uma mensagem linda, Lana segue uma filosofia pensado em um futuro onde as coisas poderiam melhorar. A música tem sonoridade que reflete bastante o que a letra pode passar. Indignada com as coisas que acontecem no mundo e sem explicações concretas, Del Rey afirma que abandonaria a fama para saber se tudo iria ficar bem. Ao participar do festival Coachella, ela abriu a mente para muitos questionamentos e decidiu compor, algo novo que não víamos em produções anteriores da mesma.


 

God Bless America – And All The Beautiful Women IIt: Lana tem uma pegada mais política aqui, ela revela seu lado feminista e mais ativo para questões algumas vezes esquecidas nas artes. Começa com aquele violão super gentil no início, porém no refrão nós conseguimos ouvir tiros sendo disparados, que são recurso sonoros interessantes usados pela Lana. Na canção ela repete que mesmo sozinha, não se sentirá assim, pois o apoio entre mulheres é o intuito da música.  

When The World Was At War We Kept Dancing: Continuando com um posicionamento político, Lana canta representando a voz de uma sociedade repressora e machista; "Girls, don't forget your curls and all of your corsets", usando a imagem da mulher como apenas um objeto produzido por artifícios superficiais; "Boys, don't make too much noise / And don't try to be funny / Other people may not understand", fazendo referência a posição retrograda de um homem nunca poder expressar seus sentimentos pois a sociedade o julgara sem medo. Em contrapartida, Lana fala como a música sempre foi importante com seu papel libertador, junto com a dança. Para melhor entendimento é necessário colocar em um contexto. 

Beautiful People, Beautiful Problems (featStevie Nicks): Uma das colaborações mais linda que você irá ouvir, essa música é uma poesia cantada por dois anjos chamados Lana Del Rey e Stevie Nicks. São perspectivas incríveis de uma visão que conseguimos ter do mundo, e o mais importante é não desistir desse mundo, uma mensagem de suporte a um passado duro e um futuro não tão esperançoso. Vocais tão fortes são complementares a melodia dramática, para poucos instrumentos.  

Tomorrow Never Came (feat. Sean Ono Lennon): O ápice, essa faixa conta a história de um amor não correspondido. Toda musicalidade do álbum se encontra nessa música, os vocais de Lana e Sean Lennon se complementam quase tornando-se um, único e glorioso, a composição é tão lírica quanto a catarse que em nóé produzida. 

HeroinUma voltinha no passado, nos faz lembrar muito a era Ultraviolence (2014), a música mantém sua calma e sua sonoridade estável até chegar na ponte, onde Lana aumenta o tom e canta "It's fucking hot, hot". Del Rey usa heroína como uma metáfora à fama, e como pode ser desgastante essa vida.  

ChangeContinuando na mesma vibe, de uma melodia mais suave, Change é faixa mais simples do álbum, mas não deixa a desejar em seu poder lírico. Acompanhada apenas por um piano, Lana canta sobre o quanto as mudanças são necessárias e muitas vezes elas demoram chegar, porém, o mais importante é não tentar fugir delas.   

Get FreeFoi a melhor forma de terminar o álbum, a última faixa carrega esse peso e Get Free fez seu papel certinho. Lana pega uma sonoridade não usada ainda em nenhuma das outras faixas, e canta sobre sua musicalidade e sua realização, o desfecho perfeito, ela realmente abre o coração para revelar essa perspectiva feliz que encerra o álbum. Ao final da canção, Del Rey usa do som de aves junto ao barulho do mar, uma despedida que nos deixa orgulhosos de álbum tão incrível como este.  

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