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Lia Clark lança clipe de 'Boquetáxi' e fala sobre a carreira em entrevista exclusiva


É provável que você não saiba quem é Rhael Lima de Oliveira mas, se passou o último ano atento aos grandes sucessos no YouTube e aos virais do Spotify com certeza sabe quem é Lia Clark

A drag queen de 25 anos tem pouco mais de um ano e meio de carreira, mas já coleciona feitos impressionantes. Dona de um dos mais bem sucedidos trabalhos já lançados por uma artista da comunidade LGBT no Brasil, influenciada por nomes como Britney Spears, a popularidade da santista é tanta que já lhe rendeu um show para milhares de pessoas no Estádio do Engenhão e uma parceria com a Avon.

Lia Clark nos recebeu em uma madrugada de domingo, na cidade de Santo Ângelo, Rio Grande do Sul, pouco antes de dar início a mais um show da turnê de promoção de primeiro EP. A festa, que já trouxe para o interior gaúcho nomes como Inês Brasil e Pabllo Vittar, já dura quase meia década e é um dos poucos - se não único - evento dedicado à comunidade LGBT na cidade. Lia, como esperado, foi recebida como a estrela que é.

Começo a entrevista perguntando se, em algum momento quando sua carreira ainda estava engatinhando, pensou que chegaria tão longe (quase 2 mil quilômetros, distância entre a sua cidade natal e o local da festa, para ser exato). "Nunca, e cada vez que eu vou mais longe eu fico chocada", diz Lia. A drag queen revela ainda um pensamento recorrente com grandes viagens: "Quando eu to indo pra muito longe eu acho vou chegar lá e vai ter uma meia duzia de pessoas que me segue". A meia duzia que talvez Lia esperasse multiplicaram-se por dezenas e lotaram a casa de shows da cidade: "Fiz maior viagem e tá todo mundo aí".



Lia é um dos maiores nomes da onda colorida que vem se espalhando pelo cenário musical brasileiro. Fenômeno recente, é claro. Mas que hoje movimente um mercado gigantesco. "Quando eu comecei, era apenas bate cabelo e lip sync", diz a cantora, ao lembrar de quando a arte drag ainda estava fora dos principais cenários mainstream do Brasil. Tamanho sucesso torna a cantora uma porta voz dos direitos LGBT. Lia acha importante usar a visibilidade que tem como cantora: "Se alguém se inspirar em mim, vou ficar realizada".

As cercas de 400 pessoas presentes no local fizeram-se muito mais quando Clark Boom, música que dá nome ao seu primeiro EP, começou a tocar, dando início à apresentação da cantora. Em cerca de uma hora, Lia canta todos os hits presentes em seu trabalho de estreia e aproveita para adicionar outros grandes sucessos do cenário musical atual, como 'Cheguei', cujo clipe, com cerca de 75 milhões de visualizações no YouTube, traz a drag como um dos principais destaques.



O EP Clark Boom, rendeu 3 grandes sucessos até o momento para a cantora e tornou-se um dos maiores trabalhos lançados por artistas do gênero na década, graças, principalmente, à força da internet e dos serviços de streamings, onde já acumula incríveis 20 milhões de reproduções, número alcançado apenas por pouquíssimas drag queens na música, incluindo Vittar e RuPaul. Lia, inclusive, ressalta a importância de serviços como Spotify e YouTube: "as coisas ficaram mais acessíveis".

A cantora ainda não havia conhecimento do tamanho (em números) de seu trabalho de estréia: "Saber que minha música foi reproduzida 20 milhões de vezes contabilizadas, sem contar as vezes que foi tocada nas boates, é surreal pra mim, nunca imaginei". E continua: "Lembro que quando Trava Trava fez 30 mil eu quase chorei. Quando cheguei a 100 mil, então, meu deus do céu."

Apenas com 'Chifrudo', parceria com Mulher Pepita, Lia Clark possui 7 milhões de streams, quantia equivalente a espetaculares 46 mil cópias, utilizando a fórmula amplamente conhecida para a conversão de streamings para cópias equivalentes, na qual, para singles, 150 reproduções representam 1 cópia vendida. 46 mil cópias suficientes para premiar Lia com o Disco de Platina* pela canção.



Enquanto 'Trava Trava', com cerca de 5 milhões de streams, e 'Tome CUrtindo', com 3 milhões de steamings somando-se a versão do EP Clark Boom com a versão remix com Pabllo Vittar, já garantiriam o certificado de Disco de Ouro*. Alô ABPD/Pró-Música, vamos certificar?


Quando perguntada se a parceria com Pabllo Vittar ganharia um clipe oficial, depois do sucesso do lyric video futurístico, Lia disse que, embora fosse uma vontade sua e de Pabllo e que estivessem trabalhando para que o videoclipe de Tome CUrtindo fosse gravado, não havia nada certo ou decidido ainda e que ambas não sabiam o que poderia acontecer. De planos confirmados para futuro, apenas o início do planejamento para o lançamento de seu primeiro álbum, que, como nós adiantou Lia, deve contar com a participação de Mateus Carrilho, da Banda Uó (que já conversou com o No Lustre). O álbum, segundo a drag, deve seguir o estilo pautado pelas influências do funk presentes no EP Clark Boom. Enquanto não nos é confirmado o clipe de Tome CUrtindo, ficamos com o magnífico clipe de 'Boquetáxi', que Lia confirmou para o No Lustre durante nossa entrevista, no final de Junho.


Finalizamos a entrevista perguntando para Lia Clark, assumudamente admiradora da cultura pop, indicação de artistas que ela estava ouvindo recentemente. A resposta foi Manu Gavassi e Kehlani. "Coloco quando entro no avião e nem vejo a viagem passar". Mais fã dos álbuns Manu e SweetSexySavage que a Lia?

Beijos Lia, a gente te ama!

*Disco de Ouro e Disco de Platina são status atribuídos exclusivamente, no Brasil, pela ABPD/Pró-música e pelas gravadoras. Os valores de 20 e 40 mil cópias foram utilizados por serem os comumente usados para a certificação de singles. A intenção do No Lustre é apenas mostrar o sucesso alcançado pela cantora.

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