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RESENHA | Daughter: Not To Dissapear


O sucessor de If You Leave mostra o amadurecimento da sonoridade de Daughter, banda que conquistou o lineup dos festivais independentes internacionais e os ouvidos dos corneteiros de plantão do ano de 2015 com o seu primeiro álbum de estúdio.  

Formada pelos os ingleses: Elena Tonra (vocal e guitarra), Igor Haefeli (guitarra e produção), e Remi Aguillera (bateria); a banda se apresenta para o mundo o lançamento do seu novo álbum com uma visão musical um pouco diferente da sua aparição inicial. Classificado como um autêntico Post-Rock, a banda optou pela presença de solos instrumentais maiores, e melancólicos, compostos por; sintetizadores, violão, uma guitarra constante de fundo, meia lua e a mescla com a  bateria em cena.

As letras seguem a influência que a poesia gótica tem sobre Elena desde His Young Heart, misturando músicas que trazem o romantismo doloroso, a menção curiosa do drama materno de Elena, e, dessa vez as duas surpreendes faixas que relatam a fragilidade dos estágios da demência, com roteiro de criação exclusiva do escritor ficcionista Stuart Eveans, os dois primeiros vídeos liberados dos respectivos singles: Doing The Right Thing e Numbers, são partes de pequenas historias que encaixam durante a progressão dos vídeos.



New Ways, a primeira faixa do álbum, além de demonstrar a saída da zona de conforto da banda, também é a introdutora de todo um álbum baseado em um traço genérico constante que pode ser encontrado nas músicas que se seguem: desde a melodia crescente; com o refrão em ápice e versos on repeat.

Numbers e Doing the Right Thing são o carro chefe do álbum, sendo os primeiros singles de trabalho da banda. Numbers segue os traços melódicos da primeira faixa, já Doing the Right Thing apesar de também fazer parte do que podemos caracterizar como "Parte 1 do Álbum" tem o seu diferencial reconhecido pelo dedilhado misterioso durante os versos que antecedem o refrão em solo instrumental. Mas, o que ambas as faixas têm em comum vai além da sua melodia e parte para a história da letra: elas fazem parte da história “Dress” que relata a idade avançada e a chegada e os estágios da demência.

How, com o instrumental que sobrepõe a doce e leve voz de Elena, tem o título por conclusão particular de "a música menos chamativa do álbum".  Mothers mais uma vez nos leva ao universo da antiga, obscura e querida; Smother, onde nos questionamos o mistério por trás das menções diversas de Elena à sua mãe. Mothers tem um final discreto que indica o começo do mais próximo a uma baladinha no álbum, Alone/With You onde os efeitos foram aplicados em camadas de uma maneira surpreendente, tirando fora a sonoridade melancólica tradicionalmente apresentada na maioria das faixas da banda.

No Care carrega sozinha o diferencial do álbum, onde Daughter pela segunda vez após muito tempo (lembrem-se de Home) volta para uma canção com versos interligados e uma bateria constante que brinca com os outros sons de mixagem.

To Belong é a volta da "Parte 1 do Álbum", sonoramente uma faixa que se encontra deslocada na repercussão, mas de uma qualidade vocal sensível e a exposição em um curto solo do talento de Haefeli com a guitarra.

Fossa, título que parece ter saído do nosso dicionário brasileiro, e Made Of Stone são a saideira do álbum, nas versões mais agitada, e o convencional melodramático de Tonra.

Not To Dissapear é a evolução de uma receita que deu muito certo. A banda criou a sua identidade musical única que consegue ser facilmente reconhecida desde os primeiros acordes. O mistério entorno de Daughter é algo que se te atrair, irá te viciar.

Ouça abaixo o álbum completo:



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