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#RESENHA | Lana Del Rey mostra que tudo pode acontecer em 'West Coast'


Dizem que a costa oeste é o melhor lugar, e isso poderia facilmente ser o lema de vida de Lana Del Rey. A forma com que a cantora constrói o mito em torno do personagem de Del Rey será trabalhado no seu segundo álbum, Ultraviolence, e há dois temas que devemos nos preparar para ser minuciosamente explorado: Bad Boys e Califórnia. Apesar de simplista, esses dois assuntos são retratados por Lana Del Rey em "West Coast", que possui camadas sobre camadas de escuridão.
Em clima tropical o clipe se inicia banhando pelo mar da Califórnia, acompanhado do som das ondas quebrando na praia. O preto e branco, característica de outros trabalhos visuais de Lana Del Rey, não tira a beleza das paisagens litorâneas. Ao contrário, ele realça o cenário através do contraste e mostra um lado misterioso da Costa Oeste.
Um passeio rápido através das estradas de Los Angeles e de repente as notas inicias de West Coast ressoam como uma onda, então Lana Del Rey aparece de braços abertos embalada pela música, e se lançando ao vento provando sua crença na liberdade desinibida. Temos o início perfeito em meio a pássaros.
Lana divide a cena com um grupo de garotos, sim os garotos, porque não? Malcriados e apaixonantes. Lana traz o modelo com quem já trabalhou, o estereótipo de garoto perfeito, ele traz a nossa personagem em seus braços e ambos cambaleiam pela areia, demonstrações de carinhos a parte os dois parecem estarem embriagados de amor.
Del Rey é lançada ao mar, mas o mergulho nada mais seria uma metáfora ao profundo ideal da vida perfeita da nossa intérprete. Como uma metástase poética a cantora aparece através das ondas fumando, como uma estrela do cinema, em um carro ao lado de seu Robert Evans, ostentando a vida Holywoodiana.
Os versos mais lentos de West Coast, sempre nos disseram que Lana queria nos mostrar algo. Talvez seja este o mergulho que a cantora quer que os ouvintes façam, em seus sentimentos mais profundos e obscuros, e os idealizem, como a mesma diz “I can see my baby swiming” (“Posso ver meu amor nadando”), tudo isso é a projeção de seus desejos.
Voltamos para Costa Oeste, Lana aparece colocando a cabeça para fora abrindo a boca gritando “Ahhhhhh...” como se estivesse satisfeita depois do seu mergulho em rumo ao ideal. O clipe retorna ao contexto anterior, a personagem continua cambaleando pela praia livremente com seu Bad Boy, desta vez com os cabelos e a blusa molhada, o que torna toda a cena mais sexy ainda.
Após seu segundo mergulho e suas projeções Lana nos traz a prova de que seu amor e seu desejo são ardentes como fogo. Nos versos secos em que canta "Move baby, move baby, I’m in love.” A interprete aparece entre as chamas em passos calmos e de olhos fechados como se aquilo lhe desse prazer. Lana então abre os olhos e suspira, o fogo se alastra pelo seu corpo e preenche todo clipe.  Lana está amando.
Seus olhos queimam, e Lana mais uma vez mergulha na projeção de um amor ideal. A música vai chegando ao fim e a cantora aparece deitada no ombro de seu Robert Evans, idealizando em nossas mentes que nele encontrou o conforto. Afinal, Del Rey já nos ensinou que "money is the anthem of success", mas sempre veremos a figura da mulher dividida entre o amor e ambição, e ela sabe como ninguém casar a sexualidade feminina, os estereótipos de Hollywood e insistência de que ela é sua própria criação.

Finalizamos nossa breve análise de 'West Coast', com na seguinte frase de Albert Camuse, que resume a imagem que Lana Del Rey está construindo ao longo da carreira: "A única maneira de lidar com um mundo sem liberdade é tornar-se tão absolutamente livre que grande parte de sua existência é um ato de rebelião."

Depois de arder em chamas por amar. 
Tudo mesmo pode acontecer na Califórnia.

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